"Guerra ou paz, eis o dilema. Entre uma e outra, a inquietação. Essa dispneia coletiva, essa asfixia em forma de interrogação. E nós precisamos de uma coisa só: fé comum a todos. Precisamos remover a montanha do ceticismo e da indiferença. Precisamos degelar esta cordilheira de ódios e incompreensões."
Meu deus,
Por que é que nesta terra
Pedem paz e fazem guerra
E fazem guerra pela paz?
Meu deus,
Por que é que os homens agem
Sempre em nome da coragem
E apunhalam só por trás?
A fortuna correndo atrás
De quem já tem dinheiro
E o faminto se foge da fome
Ela vai atrás
Oh, meu deus, o sertão está seco
Só chove na praia
O oceano está cheio d´água
Não precisa mais
Muita gente com a reza na boca
E o ódio no peito
O cristão fazendo mal feito
Com a bíblia na mão
A ganância na terra entre os homens
Gerando conflitos
E a ciência a serviço do mal e da destruição
Meu deus, anulai a profecia
Pois o mundo qualquer dia
Vai mergulhar num vulcão
Meu deus, aumentai a nossa crença
Pra que o homem se convença
Que o mundo inteiro é cristão.
"Há muita gente cantando forró à força, mas anda dizendo que dá força pro forró". (Biliu de Campina)
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sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Poeira de morte - Gordurinha (Mamãe! Estou agradando - 1961)
Tá vendo essa roupa cáqui
Já foi branca meu patrão
Acontece que eu vim de longe
Em cima de um caminhão
E a poeira do norte
Naquela estrada de morte
Tem dó de mim meu patrão
E vê se ajuda seu irmão
Eu quero trabalhar o dia inteiro
Nem que seja pra ganhar um tostão
Eu já não posso mais
E voltar atrás eu não quero não
Chega de viver torrado
pelo sol malvado que só quer matar
Chega de dizer que a fome
É direito do homem que não quer roubar
Patrão não estou aqui
Não foi pra divertir e nem ver carnaval
Apesar do que sofri no norte
Sou caboclo forte quero trabalhar
Já foi branca meu patrão
Acontece que eu vim de longe
Em cima de um caminhão
E a poeira do norte
Naquela estrada de morte
Tem dó de mim meu patrão
E vê se ajuda seu irmão
Eu quero trabalhar o dia inteiro
Nem que seja pra ganhar um tostão
Eu já não posso mais
E voltar atrás eu não quero não
Chega de viver torrado
pelo sol malvado que só quer matar
Chega de dizer que a fome
É direito do homem que não quer roubar
Patrão não estou aqui
Não foi pra divertir e nem ver carnaval
Apesar do que sofri no norte
Sou caboclo forte quero trabalhar
terça-feira, 11 de junho de 2019
Fornalha - Gordurinha (Um espetáculo - 1963)
A minha dor é tão grande
Não dá pra cantar num baião
Quem não acredita, eu já sei
Que não sabe o que é Sertão
Se eu pudesse fechar a comporta do meu peito
Não havia um açude maior que o meu coração
Que cachoeira, que queda d'água
O meu pranto nasce da mágoa
E despeja nas águas do mar da ilusão
Eu não creio que o céu tá vazio
E Deus não escute
Minha prece rezada com fome, joelho no chão
O sol é quente, a dor espalha
E a terra é agora fornalha
Onde o ódio trabalha plantando aflição.
Não dá pra cantar num baião
Quem não acredita, eu já sei
Que não sabe o que é Sertão
Se eu pudesse fechar a comporta do meu peito
Não havia um açude maior que o meu coração
Que cachoeira, que queda d'água
O meu pranto nasce da mágoa
E despeja nas águas do mar da ilusão
Eu não creio que o céu tá vazio
E Deus não escute
Minha prece rezada com fome, joelho no chão
O sol é quente, a dor espalha
E a terra é agora fornalha
Onde o ódio trabalha plantando aflição.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Se chovesse no Nordeste - Gordurinha (Um espetáculo - 1963)
Se tivesse praia em São Paulo
Mas não tem é uma pena
Cimento armado nunca foi areia
E lá não tem sereia da pele morena
Se caísse neve no rio
Era cada loira de tirar o chapéu
Se chovesse no nordeste
O meu ceará era um céu
Melhores explicações só perguntando a natureza
Por que nordestino é triste?
Por que que o nordeste é tristeza?
Por que aleijado não anda?
Por que mudo não pode falar?
Sei lá esse mundo não é meu
Então não sou eu quem posso lhe explicar
São Pedro fez um contrato para chover no ceará
Depois do papel todo pronto
São Pedro esqueceu de assinar.
Mas não tem é uma pena
Cimento armado nunca foi areia
E lá não tem sereia da pele morena
Se caísse neve no rio
Era cada loira de tirar o chapéu
Se chovesse no nordeste
O meu ceará era um céu
Melhores explicações só perguntando a natureza
Por que nordestino é triste?
Por que que o nordeste é tristeza?
Por que aleijado não anda?
Por que mudo não pode falar?
Sei lá esse mundo não é meu
Então não sou eu quem posso lhe explicar
São Pedro fez um contrato para chover no ceará
Depois do papel todo pronto
São Pedro esqueceu de assinar.
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